Enterografia por RM no diagnóstico de Doença de Crohn

Tempo de leitura: 3 minutos

Ressonância MagnéticaUm dos exames que mais ajudou os médicos a diagnosticarem a minha Doença de Crohn foi a enterografia por ressonância magnética (RM). Quando realizei o exame pela primeira vez, em 2010, verificou-se uma estenose de 40 cm no íleo. Agora, dois anos após o primeiro exame, vou repetir para verificar como está minha estenose e outras coisas.

Quando comecei a investigar qual a doença que eu poderia ter, conheci diversos exames que nunca havia sequer ouvido falar. Agora, quase quatro anos após os primeiros sintomas, já tenho conhecimento empírico sobre diversas nuances das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), em especial a Doença de Crohn.

Vou postar diversos artigos traduzidos e reportagens sobre exames que muitos não conhecem.

O post de hoje é o sobre a enterografia por ressonância magnética. Segue um artigo intitulado MRE Has Valuable Clinical Application for Patients With Known or Suspected Crohn’s Disease (Enterografia por RM tem aplicação clínica valiosa para pacientes com diagnóstico ou suspeita de Doença de Crohn, em tradução livre). O artigo foi publicado no Medscape Medical News.

17/05/2010 – A enterografia por ressonância magnética pode ajudar a gestão direta de pacientes com conhecida ou suspeita de doença de Crohn (DC), de acordo com novos resultados da investigação relatados na edição de hoje da revista Archives of Surgery.

“A enterografia por RM (ERM) tem sido provada a ter alta sensibilidade e especificidade na detecção de Doença de Crohn. No entanto, há uma literatura muito limitada sobre a aplicação dos resultados do ERM na prática clínica para pacientes com CD,” nota o Dr. Evangelos Messaris, PhD, e seus colegas da Escola de Medicina de Warren Alpert da Universidade de Brown, Providence, Rhode Island. Os pesquisadores procuraram avaliar o efeito do ERM na tomada de decisão terapêutica em pacientes com DC em um centro terciário de assistência médica.

Um total de 120 pacientes com sintomas suspeitos ou histórico positivo de DC foram incluídos na análise retrospectiva. Os pacientes foram submetidos a ERM durante um período de 18 meses e foram então tratados, de acordo com os resultados, com um ou outro tratamento médico ou cirúrgico.

Os pesquisadores descobriram que ERM detectou a doença ativa em 57,5% dos pacientes; 12,5% dos pacientes tiveram alterações crônicas de DC sem sinais ativos de inflamação (como estenose, fístula ou abscesso) e 30% pareciam não ter doença.

A enterografia por RM não resultou em nenhuma alteração na terapia médica em 31% dos pacientes. No entanto, 53% dos doentes receberam tratamento médico adicional para a inflamação e 16% foram submetidos a cirurgia em resultado de complicações da doença ou a falta de eficácia do tratamento médico. A revisão dos resultados para todos os pacientes cirúrgicos mostrou achados intra-operatórios para ser consistente com o diagnóstico inicial da ERM.

Um sistema de pontuação associada com indicadores crescentes de inflamação ativa foi utilizado para classificar os achados dos pacientes submetidos ao exame. A pontuação média foi de 1,6 para os pacientes que não tiveram nenhuma mudança em seus planos de tratamento; 5,8 para os pacientes que se submeteram à cirurgia, e 8 para os pacientes que tiveram seu regime de medicamentos alterados (P <0,001). Além disso, o índice independentemente correlacionou com necessidade de intervenção (P = 0,001).

Os pesquisadores também descobriram que, durante os 3 meses de acompanhamento, não foram feitas alterações no protocolo de tratamento que foi iniciado após o exame.

“Em pacientes com DC conhecido e início de novos sintomas, a enterografia por RM pode adicionar informações importantes para a avaliação clínica para determinar se qualquer terapia é necessária e se deve ser cirúrgica ou clínica”, concluem os autores.

No próximo dia 5 de março de 2013 farei o exame mais uma vez e conto pra vocês, ok?

Abraços.

Fonte: MRE Has Valuable Clinical Application for Patients With Known or Suspected Crohn’s Disease

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  • Raquel

    Olá, achei esse post pelo google, pesquisando sobre a enterografia.
    Tenho crohn e amanhã irei fazer esse exame pela primeira vez, como é feito? Com contraste venoso?

    Bjs,

    • Oi Raquel, tudo bem?
      Eu fiz com contraste venoso e oral.