A DOENÇA DE CROHN, A COLITE ULCERATIVA E O CÂNCER DE PELE

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O verão já chegou! Como ficam os cuidados para prevenção do câncer de pele? E o que isso tem a ver com as doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e colite ulcerativa)?

Você sabia que um recente estudo indicou que as doenças inflamatórias intestinais (DII) podem aumentar o risco de câncer de pele do tipo melanoma?

Então, se você tem doença de Crohn ou colite ulcerativa é muito importante manter contato com uma equipe médica multidisciplinar e isso inclui visitas frequentes ao dermatologista.

Continue lendo o artigo para entender:

  • O que melanoma e
  • Como se prevenir do câncer de pele

O QUE É MELANOMA?


O melanoma é um tumor maligno que se origina nas células que produzem pigmento (os melanócitos) e pode ocorrer em diversas partes do corpo, tais como pele, olhos, trato gastrointestinal, mucosas e genitais.

O melanoma é um tumor muito perigoso e pode invadir qualquer órgão do corpo humano, podendo formar metástases inclusive no cérebro e no coração.

É preciso ficar muito atento, pois de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) são estimados mais de 6 mil novos casos de melanoma por ano no Brasil.

A boa notícia é que o melanoma, apesar de ser a forma mais perigosa de câncer de pele, tem cura se for diagnosticado e tratado precocemente.

A DOENÇA DE CROHN AUMENTA O RISCO DE CÂNCER DE PELE?


Um estudo publicado em 2013 na revista científica JAMA Dermatology demonstrou que pacientes de DII que se tratam com tiopurinas têm maior risco de desenvolver câncer de pele não-melanoma. Os estudos, porém, não foram conclusivos.

Para tentar concluir alguma coisa, outro estudo publicado no The Journal of Gastroenterology avaliou oito experimentos envolvendo mais de 60 mil pacientes e encontrou apenas um risco “modesto” de câncer de pele não-melanoma associado ao tratamento com tiopurinas. São exemplos o carcinoma espinocelular e o basocelular.

O RISCO DE MELANOMA ASSOCIADO ÀS DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS


Um estudo publicado em 2014 na revista científica Clinical Gastroenterology and Hepatology indicou que portadores de doenças inflamatórias intestinais (DII) têm chances 37% maiores de serem diagnosticadas com câncer de pele em comparação à população em geral.

Os pesquisadores da Mayo Clinic, em Minnesota no EUA, queriam descobrir por meio do estudo se a terapia com determinadas substâncias (principalmente a tiopurina) usadas para tratar pacientes de DII aumentavam o risco de melanoma. Essa hipótese havia sido levantada anteriormente em outros estudos.

Os pesquisadores não encontraram nenhuma ligação entre o melanoma e o uso de terapias biológicas no tratamento das DIIs.

Entretanto, os estudos indicaram que pessoas com portadoras de doença de Crohn ou colite ulcerativa tem maior risco de desenvolver câncer de pele.

TUDO MUITO CONFUSO! O QUE EU FAÇO, AFINAL??


O que deve ficar de mensagem é que qualquer pessoa, independentemente de ser portador de DII ou qualquer outra doença crônica ou até mesmo não ter qualquer tipo de doença, deve verificar a pele regularmente e considerar uma visita ao dermatologista anualmente.

Siga as recomendações utilizadas para a população em geral, descritas mais abaixo neste artigo.

Mas é importante frisar que os mais recentes estudos sugerem que o pacientes de DII, de fato, têm risco aumentado de desenvolver câncer de pele.

3 DICAS FUNDAMENTAIS PARA A PREVENÇÃO AO CÂNCER DE PELE


1. Cuidados com a exposição ao sol

A maioria de nós adora praia, mar e sol. Ok, você pode se divertir e relaxar na praia ou no clube, mas é muito importante se proteger dos raios solares.

Além disso, é também muito importante se proteger diariamente mesmo que você não esteja na praia. Sim, é isso mesmo. Mesmo que você esteja indo trabalhar dentro de um escritório, é essencial aplicar protetor solar nas áreas expostas (normalmente rosto, mãos e braços).

Então, use diariamente um filtro solar FPS 30 (no mínimo).

Aproveite e evite os momentos de maior insolação do dia, que acontece entre às 10h e às 16h.

2. Faça seu auto-exame

Examinar sua própria pele é uma maneira fácil de detectar anormalidades. É muito importante ficar atento aos sinais como manchas que coçam, descamam ou sangram. Além disso, analise suas pintas e verifique se elas mudaram de tamanho, de forma ou até mesmo de cor.

3. Vá ao dermatologista

Como já dito, é muito importante manter uma equipe médica multisciplinar no seu tratamento e isso inclui um dermatologista.

Visite seu dermatologista pelo menos uma vez ao ano para que ele avalie qualquer tipo de anormalidade na pele e faça o acompanhamento correto.

Para os pacientes com histórico familiar de câncer de pele e para os que já sofreram anteriormente e já foram tratados o acompanhamento é ainda mais importante.

Ou seja, é fundamental ir ao dermatologista periodicamente.

Aproveite e leia nosso artigo a respeito dos protetores solares, clicando aqui.


Referências:

LONG, Millie D. et al. Risk of melanoma and nonmelanoma skin cancer among patients with inflammatory bowel disease. Gastroenterology, v. 143, n. 2, p. 390-399. e1, 2012.

RAMISCAL, Judi Anne B.; BREWER, Jerry D. Thiopurines and risk of nonmelanoma skin cancer in inflammatory bowel disease. JAMA dermatology, v. 149, n. 1, p. 92-94, 2013.

SINGH, Siddharth et al. Inflammatory bowel disease is associated with an increased risk of melanoma: a systematic review and meta-analysis. Clinical Gastroenterology and Hepatology, v. 12, n. 2, p. 210-218, 2014.

Crédito das Fotos: photodune

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